Buscar

Será que o vibrador dessensibilizou sua libido?

Atualizado: Jan 10



Um dos assuntos que mais tenho falado ultimamente com as mulheres é sobre o resgate da sensibilidade sexual natural, principalmente quando elas relatam estarem numa fase apegada ao vibrador de pilha, ou já estão viciadas mesmo: só conseguem ter orgasmo com o dildo na vibração 47 em looping.


Mas conhecendo a história da invenção do vibrador dá pra ter uma ideia do quanto ele pode dessensibilizar seus pontos mais erógenos, principalmente seu clitóris - atenção especial aqui pra quem não dispensa o bullet - aquele pequeninho que vibra mais que turbina de avião mono-motor.


Resumindo, a invenção do vibrador se deu assim: há 250 anos uma mulher que sentisse prazer sexual era considerada histérica - falar, gritar e gemer de prazer era inconcebível, os homens tinham certeza que as mulheres não sentiam prazer sexual algum já que a ereção era a prova de que eles sim tinham libido.


A "histérica" era então encaminhada para sessões de "paroxismo" - uma masturbação clitoriana feita num consultório ginecológico. O “tratamento" causava extremo cansaço nos braços dos médicos e por isso um deles teve a genial ideia de criar o vibrador - não para dar prazer mas para “curar" as mulheres da “histeria", ou seja, pra não sentirem mais prazer.


Os vibradores simplesmente exauriam a mulher de tanto estímulo clitoriano a ponto do prazer virar dor e enfim dessensibilizar o orgão mais sensível do corpo feminino.


E caso o vibrador não resolvesse o caso, o clitoris da mulher era removido. Forte né? Mas esse é só o começo da história e não estou aqui fazendo campanha contra um objeto que foi sendo desenvolvido ao longo dos anos, que hoje em dia é feito em diversos materiais e formas, mesmo porque cada uma usa de um jeito e não são todas as mulheres que chegam nesse ponto de dessensibilizar a libido e padronizar orgasmos.


A questão é que 200 anos se passaram de muita história até que em meados de 60 e 70 a mulher finalmente sentiu os primeiros sinais de liberdade sexual depois de séculos de castração. Porém essa nova era trouxe um modelo de sexualidade inspirado na pornografia, com uma demanda altíssima por performance e velocidade, show time e exibicionismo. E os vibradores portáteis chegaram nessa onda, do orgasmo através da força e da velocidade. A mulher que exauri suas energias pra gozar. E gozar é o contrário de esforço, gozar é entrega, liberação. E é esse meu ponto aqui.


Eu pessoalmente nunca me interessei por vibradores de plástico ou silicone, sempre os achei fora do meu contexto sexual: pra começar, pênis nenhum vibra, eu pelo menos nunca conheci um pênis que pulsasse e vibrasse em 18 velocidades diferentes, hehe. Então o vibrador usado em excesso pode não só dessensibilizar a verdadeira potencia orgástica do corpo como pode padronizar o orgasmo que num sexo real nunca vai rolar. Fora isso, plástico e silicone são materiais que podem desequilibrar sua flora vaginal e causar perda da lubrificação, mas isso já foi falado num post anterior.


Fica aqui a reflexão sobre sensibilidade genital e os padrões de orgasmo que podemos criar disso.

Beijos Manas!


Tutu Lombardi


197 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

Feiras que participamos:

  • Instagram
  • Facebook

Receba nossos conteúdos:

Cristais de Eros  |  Rua Caiubi, 846 Perdizes SP  |  CNPJ:  34.746.880/0001-61