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Será que o vibrador dessensibilizou sua libido?



Um dos assuntos que mais tenho falado ultimamente com as mulheres é sobre o resgate da sensibilidade sexual natural, principalmente quando elas relatam estarem numa fase apegada ao vibrador de pilha, ou já estão viciadas mesmo: só conseguem ter orgasmo com o dildo na vibração 47 em looping.


Conhecendo a história da invenção do vibrador, dá pra ter uma ideia do quanto ele pode dessensibilizar seus pontos mais erógenos, principalmente seu clitóris - atenção especial aqui pra quem não dispensa o bullet, aquele pequeninho que vibra mais que turbina de avião monomotor.


Resumindo, a invenção do vibrador se deu assim: há 250 anos, uma mulher que sentisse prazer sexual era considerada histérica - falar, gritar e gemer de prazer era inconcebível, os homens tinham certeza que as mulheres não sentiam prazer sexual algum, já que a ereção era a prova de que eles sim tinham libido.


A "histérica" era então encaminhada para sessões de "paroxismo", uma masturbação clitoriana feita num consultório ginecológico. O “tratamento" causava extremo cansaço nos braços dos médicos e, por isso, um deles teve a genial ideia de criar o vibrador - não para dar prazer, mas para “curar" as mulheres da “histeria", ou seja, pra não sentirem mais prazer.


Os vibradores simplesmente exauriam a mulher de tanto estímulo clitoriano a ponto do prazer virar dor e enfim dessensibilizar o órgão mais sensível do corpo feminino.


E caso o vibrador não resolvesse o problema, o clitóris da mulher era removido. Forte, né? Mas esse é só o começo da história e não estou aqui fazendo campanha contra um objeto que foi sendo desenvolvido ao longo dos anos, que hoje em dia é feito em diversos materiais e formas, mesmo porque cada uma usa de um jeito e não são todas as mulheres que chegam nesse ponto de dessensibilizar a libido e padronizar orgasmos.


A questão é que 200 anos se passaram de muita história até que, em meados de 60 e 70, a mulher finalmente sentiu os primeiros sinais de liberdade sexual depois de séculos de castração. Porém, essa nova era trouxe um modelo de sexualidade inspirado na pornografia, com uma demanda altíssima por performance e velocidade, show time e exibicionismo. E os vibradores portáteis chegaram nessa onda, do orgasmo através da força e da velocidade. A mulher que exaure suas energias pra gozar. E gozar é o contrário de esforço, gozar é entrega, liberação. E é esse meu ponto aqui.


Eu pessoalmente nunca me interessei por vibradores de plástico ou silicone, sempre os achei fora do meu contexto sexual: pra começar, pênis nenhum vibra, eu pelo menos nunca conheci um pênis que pulsasse e vibrasse em 18 velocidades diferentes, hehe. Então o vibrador usado em excesso pode não só dessensibilizar a verdadeira potencia orgástica do corpo como pode padronizar o orgasmo que num sexo real nunca vai rolar. Fora isso, plástico e silicone são materiais que podem desequilibrar sua flora vaginal e causar perda da lubrificação, mas isso já foi falado num post anterior.


Fica aqui a reflexão sobre sensibilidade genital e os padrões de orgasmo que podemos criar disso.

Beijos Manas!


Tutu Lombardi